O cientista político Alexandre Fuccille, professor de Relações Internacionais da Unesp, avaliou que a condução da guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã apresenta falhas estratégicas e objetivos pouco definidos.
Em participação no programa WW Especial, ele destacou a subestimação inicial do adversário e a dificuldade em estabelecer metas militares claras. “É uma lição tão antiga quanto andar para a frente: não subestimar o inimigo. Houve uma subestimação muito grande por parte de Israel e dos Estados Unidos”, afirmou Fuccille.
O professor observou que, no campo militar, há uma percepção de vantagem dos Estados Unidos, embora com custos elevados. “Do ponto de vista militar, os Estados Unidos estão vencendo essa guerra, ninguém vai discordar disso, inclusive com danos severos, digamos, à infraestrutura civil, inclusive do Irã”, disse.
No entanto, Fuccille questionou a coerência estratégica da campanha, apontando instabilidade nos objetivos. “Já do ponto de vista do que é uma guerra, há objetivos não claros, mutáveis o tempo todo, não definidos nem publicizados”, ressaltou.
Ele também mencionou o impacto político interno nos Estados Unidos e a pressão sobre o presidente Donald Trump. “Me parece que Trump está sob grande pressão, sobretudo porque temos eleições em meio de mandato agora em novembro”, lembrou, ao relacionar fatores domésticos e internacionais.
Fuccille citou críticas recorrentes ao presidente norte-americano, fazendo referência à expressão “Trump Always Chickens Out” (“Trump sempre amarela”, em tradução livre), que ganhou força após idas e vindas do presidente dos EUA em relação ao tarifaço.
Ao comentar mudanças na correlação de forças regionais e novas capacidades militares atribuídas ao Irã, Fuccille afirmou que houve reavaliação de riscos por parte de países europeus diante da escalada.


