Na noite de quarta-feira, 15 de abril de 2026, manifestantes ligados a movimentos sociais e partidos de esquerda interditaram a Avenida Paulista, no sentido Consolação, em protesto pelo fim da escala de trabalho 6×1.
Os participantes, que carregavam bandeiras com o lema “Povo pelo Povo”, caminharam desde o prédio da Fundação Cásper Líbero até a Rua da Consolação, no Centro de São Paulo. A Polícia Militar acompanhou a manifestação.
O deputado federal Paulo Azi (União-BA) apresentou, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, um relatório favorável ao avanço de propostas de emenda à Constituição (PECs) que visam a redução da jornada semanal de trabalho no Brasil.
Após a leitura do relatório, o deputado Lucas Redecker (PSD-RS), crítico ao fim da escala 6×1, solicitou um pedido de vista, argumentando que ele e outros deputados desejam analisar o relatório com mais cuidado, dado que se trata de um tema sensível.
““O parecer foi protocolado pela manhã, porém, eu e outros deputados temos interesse em ler minuciosamente [o relatório] por esse ser um tema sensível”,”
disse Redecker. A deputada Bia Kicis (PL-DF) também pediu mais prazo, que foi concedido pelo presidente da CCJ, Leur Lomanto Júnior (União-BA). Com isso, a votação no colegiado foi adiada e deve ocorrer em no máximo 15 dias.
Houve protestos contra o adiamento por parte de defensores das PECs. Entre as propostas discutidas, uma é da deputada Erika Hilton (PSOL-SP), que prevê a redução da jornada de trabalho para quatro dias por semana, com prazo de 360 dias para a nova regra entrar em vigor. A segunda PEC, de autoria do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), apresentada em 2019, reduz a jornada de trabalho para 36 horas semanais, com prazo de 10 anos para a norma entrar em vigor.
A discussão dessas propostas é diferente do projeto de lei apresentado pelo governo Lula, que prevê a redução do limite de jornada semanal para 40 horas e a mudança da escala de 6 para 5 dias de trabalho, com dois dias de descanso remunerado.
O relatório de Paulo Azi na CCJ analisa a compatibilidade das propostas com a Constituição, a chamada admissibilidade. Para o parlamentar, os textos atendem aos requisitos constitucionais para avançar no Congresso. O debate sobre o mérito das PECs será realizado após a aprovação dos textos na CCJ, em uma comissão especial.
Um levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que a redução da jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas pode elevar os custos com empregados formais na economia entre R$ 178,2 bilhões e R$ 267,2 bilhões por ano, o que representa um acréscimo de até 7% na folha de pagamentos.

