As Nações Unidas e a União Europeia informaram nesta segunda-feira, 20 de abril de 2026, que serão necessários US$ 71,4 bilhões (cerca de R$ 355 bilhões) para a reconstrução da devastada Faixa de Gaza na próxima década. As estimativas são de um estudo realizado em parceria com o Banco Mundial.
O comunicado conjunto divulgado pelas instituições considera os danos materiais, as perdas econômicas e as necessidades de recuperação e reconstrução de Gaza após dois anos de guerra entre Israel e Hamas. Nos primeiros 18 meses, a previsão é de que sejam necessários US$ 26,3 bilhões (R$ 130,7 bilhões) para restabelecer serviços essenciais, reconstruir infraestruturas básicas e impulsionar a recuperação econômica.
O relatório aponta que os prejuízos diretos à infraestrutura somam cerca de US$ 35,2 bilhões, enquanto as perdas econômicas e sociais chegam a US$ 22,7 bilhões. Os setores mais afetados incluem habitação, saúde, educação, comércio e agricultura.
O estudo também destaca que mais de 371 mil residências foram danificadas ou destruídas, assim como quase todas as escolas palestinas. Mais da metade dos hospitais está fora de funcionamento, e a economia do território sofreu uma retração de 84%. Cerca de 1,9 milhão de pessoas foram deslocadas, e mais de 60% da população perdeu suas casas, agravando a crise humanitária na região.
Apesar do cessar-fogo em vigor em Gaza desde 10 de outubro do ano passado, a violência continua no território palestino. Israel e Hamas se acusam mutuamente de violar o acordo. Ataques israelenses mataram pelo menos 715 pessoas desde o início da trégua, segundo o Ministério da Saúde do território, que opera sob a autoridade do Hamas. As Nações Unidas consideram que os números do ministério são confiáveis.
Israel, por sua vez, afirma que cinco de seus soldados morreram no mesmo período. A agência das Nações Unidas para crianças, Unicef, informou na semana passada que jovens continuam a ser mortos e feridos em um ritmo alarmante em Gaza, com pelo menos 214 vidas ceifadas nos últimos seis meses.


