A missão Artemis II, da NASA, pode enfrentar seu maior desafio no retorno à Terra, previsto após uma órbita bem-sucedida ao redor da Lua. Os quatro astronautas entrarão na fase crítica de reentrada na atmosfera a quase 24 mil milhas por hora (cerca de 38,6 mil km/h).
O escudo térmico da cápsula Orion precisa suportar temperaturas extremas para proteger a tripulação. No entanto, esse escudo já apresentou falhas durante a missão Artemis I, em 2022, quando a cápsula, ao ser resgatada no oceano, mostrou marcas de crateras e partes faltando, o que não era esperado pelos engenheiros.
A NASA afirma ter analisado e simulado a situação, garantindo uma margem de segurança. “Os testes e estudos nos deixaram confortáveis para realizar essa missão com bastante folga”, disse Jared Isaacman, administrador da NASA.
““A NASA não entende bem o suficiente as chances de falha”, afirmou Charlie Camarda, ex-astronauta e especialista em escudos térmicos.”
Camarda expressou preocupação com a missão, estimando uma chance de 95% de sucesso, o que implica um risco de 1 em 20 de desastre. Para comparação, a chance de morte em um voo comercial é de cerca de 1 em 9 milhões.
A discussão gira em torno do material do escudo, o Avcoat, que queima controladamente durante a reentrada. Na Artemis I, gases ficaram presos no material, causando falhas inesperadas. Para a Artemis II, a cápsula usará uma versão antiga do material, e trocar o escudo atrasaria a missão por anos.
A solução encontrada foi alterar a trajetória de reentrada, tornando-a mais curta e reduzindo o tempo de exposição ao calor. Alguns especialistas consideram isso um ajuste necessário, enquanto outros veem como um risco excessivo.
““Se pedaços do pneu do seu carro começam a se soltar na estrada, você continua dirigindo ou para para trocar?”, questionou o engenheiro Dan Rasky.”
Ele classificou a decisão como “imprudente” e “temerária”. A história da NASA inclui desastres como Challenger e Columbia, que foram precedidos por sinais de alerta ignorados.
A simulação da reentrada é um dos desafios mais complexos da engenharia, envolvendo fluxo hipersônico e comportamento imprevisível de materiais. Danny Olivas, ex-astronauta, afirmou que não há um modelo físico confiável para isso, mas se mostrou convencido pelas análises da NASA.
““Columbia estava na mente de todos”, afirmou Olivas. “Eles foram gratos por serem questionados.””
A tripulação da Artemis II está ciente dos riscos. “Estivemos presentes em cada etapa da construção da espaçonave”, disse o comandante Reid Wiseman. A missão pode ser considerada um sucesso até o último minuto, mas ainda assim falhar no momento final.

