Na tarde da segunda-feira, 30 de março de 2026, o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado, anunciou sua pré-candidatura à Presidência da República em 2026. O evento ocorreu na sede do PSD em São Paulo, onde Caiado esteve acompanhado da esposa, filhos e do presidente da legenda, Gilberto Kassab.
Esta é a segunda vez que Caiado, que é fazendeiro e médico de formação, busca ocupar o Palácio do Planalto. Sua primeira tentativa foi em 1989, quando se apresentou como candidato da direita ruralista e obteve apenas 1% dos votos. Durante um debate na época, o então candidato Luiz Inácio Lula da Silva se recusou a dirigir uma pergunta a Caiado, afirmando que o faria apenas se ele superasse 1,5% nas intenções de voto.
Atualmente, Caiado possui cerca de 4% nas pesquisas, enfrentando a concorrência de outros quatro potenciais candidatos de direita. Entre eles, Flávio Bolsonaro (PL), que conta com o apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro e está à frente nas pesquisas.
A escolha de Caiado para representar o PSD foi feita após a desistência do governador Ratinho Junior do Paraná. Kassab optou por Caiado devido ao seu desempenho nas pesquisas, que é ligeiramente superior ao do governador Eduardo Leite do Rio Grande do Sul.
Com essa decisão, o PSD se posiciona como uma força de direita na corrida ao Palácio do Planalto, competindo em um espaço dominado pelo bolsonarismo. O discurso de Caiado é semelhante ao de Flávio Bolsonaro, abordando temas como segurança pública, pautas de costumes e críticas ao PT.
““Nós ganhamos do PT em 2018, depois ele voltou. Podemos voltar a ganhar. Não é difícil ganhar do PT. No segundo turno, ele estará batido”, afirmou Caiado durante o lançamento de sua pré-candidatura.”
Caiado, que foi deputado federal por cinco mandatos e senador por um, teve uma taxa de aprovação de 82% como governador. No entanto, enfrenta o desafio de ganhar projeção nacional em um cenário com várias pré-candidaturas de direita. Nos bastidores, há especulações sobre a possibilidade de sua candidatura não prosperar caso não alcance pelo menos dois dígitos nas pesquisas nos próximos meses.
Além de Caiado e Flávio Bolsonaro, outros candidatos de direita incluem o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), o empresário Renan Santos (Missão) e o ex-presidente da Câmara Aldo Rebelo (DC). Juntos, esses candidatos somam apenas 10% das intenções de voto no primeiro turno.
O primeiro turno da eleição presidencial pode funcionar como uma primária informal da direita brasileira, com riscos e vantagens. Se as candidaturas competirem de forma predatória, isso pode beneficiar o PT. No entanto, se houver coordenação e foco no adversário principal, a diversidade pode ampliar o alcance da direita.
Enquanto isso, Renan Santos, do Missão, tem crescido nas pesquisas e se posiciona como um ultraliberalista, descartando apoio a Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno. Aldo Rebelo, que migrou da esquerda para a direita, corre por último nas pesquisas.
O cenário atual mostra Lula consolidado como o único nome na disputa presidencial pela esquerda, resultado de alianças que desincentivam candidaturas alternativas. Se essa situação se mantiver, Lula não precisará dividir votos, enquanto enfrentará adversários à direita com forte discurso antipetista.

