Rotina de mãe de gêmeos com autismo: desafios e terapias

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

No Dia Mundial de Conscientização do Autismo, celebrado em 2 de abril, Marcielle Cavalcante compartilhou sua experiência como mãe de gêmeos diagnosticados com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Ela destacou os desafios enfrentados no desenvolvimento das crianças, especialmente em ambientes escolares e nas relações sociais.

Marcielle, mãe de Fernando Filho e Izabelle, ambos com 7 anos, revelou que seus filhos ainda enfrentam situações de exclusão. “Os meus filhos ainda são excluídos de aniversários, eles são excluídos da própria sala de aula”, afirmou. O diagnóstico ocorreu quando as crianças tinham três anos. Fernando apresenta TEA nível 3, com não verbalidade e necessidade de acompanhamento constante, além de comprometimentos cognitivos e motores. Izabelle foi diagnosticada com TEA nível 2, com dificuldades na comunicação.

Apesar das limitações, Marcielle observou uma evolução significativa com o acompanhamento especializado. Ela mencionou que as terapias multidisciplinares têm contribuído para o desenvolvimento das crianças. “O tratamento especializado é a única coisa que temos ao nível de desenvolvimento direcionado para eles”, disse.

Fernando passou a manter contato visual, apresentar melhora na coordenação motora e responder a comandos, além de frequentar mais ambientes sociais. Izabelle também apresentou avanços na comunicação e consegue frequentar o ensino regular, aliado a atividades de reforço e natação. A mãe destacou que o desenvolvimento da menina apresentou melhora significativa na memória e na inteligência.

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Para garantir o acompanhamento, Marcielle decidiu deixar o trabalho para se dedicar integralmente aos filhos. Ela fez mudanças no lar para acomodar a sensibilidade das crianças, como a retirada da TV da sala. “Adaptamos o quarto para que ficasse da melhor forma para ele. Hoje colocamos o colchão no chão e retiramos o armário e o guarda-roupas do quarto.”

A fonoaudióloga Juliana Menezes, especialista em TEA, explicou que as terapias são definidas a partir de avaliações individualizadas, que identificam as necessidades de cada criança. O tratamento é adaptado à realidade do paciente e envolve a participação da família. Juliana destacou que métodos baseados em evidências científicas, como Jasper e DIR Floortime, trabalham aspectos como comunicação, linguagem, alimentação e desenvolvimento motor.

Ela ressaltou que a intervenção precoce é fundamental, especialmente nos primeiros anos de vida, período crítico para o desenvolvimento neurológico. “A ideia é potencializar o desenvolvimento para que o paciente alcance maior autonomia e consiga participar da sociedade”, afirmou. Juliana também alertou os pais para ficarem atentos a sinais como isolamento, baixo contato ocular, atraso na fala ou no desenvolvimento motor, choro irritadiço e questões sensoriais, que podem ser os primeiros indícios de TEA na infância.

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