Nos últimos dias, Israel tem enfrentado uma série de ataques com mísseis, levando a população a se adaptar a uma rotina marcada por sirenes e alertas constantes. O país investiu em um sistema de defesa antiaérea que visa proteger os cidadãos.
As sirenes soam várias vezes ao dia, alertando os moradores a buscarem abrigo. O repórter Carlos de Lannoy, ao ouvir um desses alarmes, reagiu rapidamente: “Alerta! Caramba, alerta!”. Ele questionou sobre a disponibilidade de abrigo enquanto corria em busca de proteção.
Um aplicativo da Defesa Civil israelense informa, com base na localização, o tempo restante até a possível chegada de um míssil, que pode ser de apenas um minuto e meio. “Um minuto e meio para procurar refúgio”, registrou o repórter durante um dos alertas.
Desde o final de fevereiro, o Irã lançou cerca de 500 mísseis contra Israel. O sistema de defesa do país intercepta quase 90% dos ataques, utilizando uma abordagem em camadas. O professor Ronaldo Carmona, da Escola Superior de Guerra, explicou que o primeiro nível é o Domo de Ferro, que intercepta mísseis a até 70 km, seguido pelo Estilingue de David, que atua em um raio de até 400 km, e um sistema de interceptação de mísseis fora da atmosfera.
Apesar da eficácia do sistema, há falhas, especialmente com mísseis de fragmentação, que podem causar danos significativos. Esses mísseis já resultaram na morte de 23 pessoas. Em Kfar Qassem, um desses ataques atingiu o carro de uma família logo após a mãe e o filho entrarem em um prédio. O pai, Yiad, recordou: “Assim que eles entraram, houve a explosão. A onda de choque jogou os dois para dentro.”
Mesmo com a tensão, a vida cotidiana continua. Em Jerusalém, um hotel cheio devido à Páscoa judaica foi esvaziado duas vezes por causa das sirenes. Uma mãe comentou que para as crianças, a situação é como um jogo: “Tem ataque, a gente entra, sai… e é isso.” Outra moradora afirmou: “Eu não ligo para as bombas, honestamente. Temos abrigos. Estou acostumada.”
Em Tel Aviv, a rotina é semelhante. Durante os alarmes, as pessoas são orientadas a buscar abrigo. Uma funcionária tranquilizou clientes: “Tem um abrigo logo aqui, não se preocupe.” No subsolo, os abrigos são equipados com portas de aço, filtros de ar e estoques de água. Yafit, uma residente, comentou: “Aqui a gente se sente mais seguro.”
Durante a madrugada, novos alarmes soam. Em um bunker, um mapa exibe os mísseis lançados em direção ao país. Um morador avaliou o conflito com o Irã como necessário, mas expressou preocupação com a paz: “Tenho amigos no Líbano, na Síria, no Irã… as pessoas só querem paz.” Em Ramat Gan, os ataques deixam marcas visíveis, mas a resposta é rápida, e a rotina é restabelecida em menos de uma hora.
Autoridades reconhecem que o país está preparado para uma guerra prolongada. Um comandante da Defesa Civil resumiu a situação: “Normal, nunca”. O objetivo é viver “o melhor possível” em meio à guerra.

