Rússia não avança sobre Ucrânia em março, segundo análise

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

O Exército russo não registrou quase nenhum ganho territorial na linha de frente na Ucrânia em março, pela primeira vez em dois anos e meio. A informação é de uma análise da agência de notícias AFP, com base em dados do Instituto para o Estudo da Guerra (ISW), think tank sediado nos Estados Unidos.

As forças da Rússia vêm desacelerando seus avanços desde o final de 2025, devido aos avanços localizados de Kiev no sudeste do país. Em março, Moscou conquistou apenas 23 quilômetros quadrados de terras na seção sul da linha de frente entre as regiões de Donetsk e Dnipropetrovsk.

Em fevereiro, a Ucrânia teve sucesso em recuperar o controle de territórios que estavam nas mãos da Rússia. Segundo Kiev, suas forças retomaram quase totalmente a região leste de Dnipropetrovsk, reduzindo a presença militar inimiga a apenas três cidades e recapturando 400 quilômetros quadrados de território em contra-ataques recentes.

Na província vizinha de Zaporizhia, onde Moscou ocupava quase 75% de sua área total, nove cidades foram recuperadas desde janeiro. Os avanços ucranianos ocorreram após semanas de contra-ataques que começaram no final de janeiro e se intensificaram ao longo de fevereiro.

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O presidente Volodymyr Zelensky atribui o cenário à incapacidade do Kremlin de repor suas perdas humanas na linha de frente. Para autoridades e especialistas, a principal razão para os ganhos de Kiev é o número elevado de perdas do exército russo e a falta de reposição de soldados.

Embora planeje uma ofensiva durante o verão, Moscou enfrenta dificuldades para manter um fluxo constante de recrutas. “Há três meses, eles não têm como formar suas reservas”, afirma Romanenko. Apesar de ter mobilizado um alto número de recrutas em 2023, com números mensais que se aproximavam de 60 mil em alguns períodos, Moscou tem encontrado problemas para compor suas tropas neste ano.

Nem mesmo os generosos bônus de assinatura, que chegam a dezenas de milhares de dólares, têm sido suficientes para repor o contingente necessário para a linha de frente. Zelensky afirmou que a Rússia está perdendo até 35.000 pessoas por mês, o que equivale ao número de soldados recém-mobilizados. O presidente acredita que o exército russo parou de crescer e está “imobilizado, próximo à crise”.

Na avaliação de Zelensky, uma vez que as forças militares de Moscou começarem a diminuir, “negociações sérias começarão”. Entre os fatores que contribuem para a queda no recrutamento estão as dificuldades financeiras provocadas pelas sanções ocidentais. Apesar do cenário adverso, o presidente Vladimir Putin parece cauteloso em ordenar uma mobilização em larga escala, temendo uma reação negativa da população.

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