Uma pesquisa global da Ipsos, chamada Mobility Report 2026, revelou que a mobilidade urbana continua sendo um desafio significativo, especialmente em países emergentes como o Brasil. No Brasil, apenas 17% dos entrevistados afirmam concordar fortemente que o transporte público em sua região é acessível, enquanto 33% concordam parcialmente.
Em comparação com o cenário global, onde 62% dos entrevistados consideram o transporte público acessível em seus países, o Brasil apresenta uma avaliação mais baixa. A Ipsos destaca que a percepção de acessibilidade não se limita apenas ao preço ou à cobertura do sistema, mas também envolve fatores como tempo de deslocamento, segurança, conforto e confiabilidade.
Entre os grupos etários, os Millennials se mostram mais otimistas em relação ao transporte público, com 30% de concordância forte, enquanto a Geração Z apresenta menor entusiasmo, com apenas 15%.
A pesquisa também indica que preocupações ambientais influenciam as escolhas de mobilidade. Globalmente, 46% das pessoas prefeririam usar transporte público em vez de carro por razões ambientais. No Brasil, 65% apoiam a expansão de ciclovias, 59% preferem caminhar ou usar bicicleta para se manter ativos e 51% são favoráveis à cobrança por congestionamento em áreas urbanas.
Os números brasileiros estão próximos da média global, indicando um alinhamento parcial com tendências internacionais de sustentabilidade urbana. Apesar disso, o interesse por carros elétricos ainda é baixo, com apenas 36% dos brasileiros demonstrando atração por veículos elétricos, colocando o país na 11ª posição entre os mercados pesquisados.
A pesquisa também revela disparidades regionais, com países da Ásia e da América Latina mostrando maior abertura à tecnologia de veículos elétricos, enquanto economias avançadas apresentam mais resistência. A China lidera o ranking de aceitação, com 67% de interesse em carros elétricos.
Diferenças geracionais e de gênero também são destacadas no estudo. Mulheres da geração Baby Boomer são as menos interessadas em veículos elétricos, com apenas 31% de interesse, em comparação com 39% entre homens da mesma geração. Esses dados sugerem que fatores como custo, infraestrutura de recarga e familiaridade tecnológica ainda influenciam a adoção em larga escala.
A leitura geral da pesquisa indica que o mundo está em transição na mobilidade urbana, mas em um ritmo desigual. Embora haja maior abertura a alternativas sustentáveis, a percepção de eficiência desses sistemas ainda limita mudanças mais rápidas, especialmente em países como o Brasil.

