Startup brasileira desenvolve ferramenta para identificar neurodivergências em alunos

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

A startup brasileira NeuroIdentify, criada por Gleyson Santos, de 24 anos, desenvolveu uma ferramenta para ajudar professores a identificar neurodivergências, como o Transtorno do Espectro Autista e o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH). A plataforma, que já passou da fase piloto, se prepara para expansão pelo país.

A ideia surgiu da experiência pessoal de Santos e de um grupo de amigos, que buscavam auxiliar a universidade onde estudavam na identificação de alunos com neurodivergência. A base da ferramenta é o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, 5ª Edição (DSM-5), utilizado mundialmente para classificar transtornos como autismo e depressão.

“Começamos a aplicar, mas vimos que era melhor usar na base, no primário, e não entre universitários”, explica Santos. A plataforma foi lançada em 2024 e começou a ser divulgada em 2025, alcançando escolas de Minas Gerais e do Rio Grande do Sul, além de profissionais em Alagoas e no Rio de Janeiro. Até o momento, 200 estudantes e 20 profissionais foram impactados.

A NeuroIdentify permite que professores criem perfis de alunos, preenchendo informações sobre dificuldades de fala, interação e aprendizado, que são avaliadas de acordo com o DSM-5. A partir dos resultados, os profissionais recebem orientações para desenvolver atividades adaptadas às necessidades dos estudantes. Todos os dados são protegidos pela Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

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“A ideia é atender a necessidade real dos alunos e complementar o trabalho profissional sem onerar os custos nem sobrecarregar os professores”, afirma Santos. Ele também compartilha sua experiência como aluno neurodivergente, diagnosticado com TDAH aos 19 anos, e destaca a importância de evitar que outros passem por dificuldades semelhantes.

O primeiro ano da plataforma já mostrou resultados positivos, com uma escola em Belém registrando 60% de melhora no comportamento de crianças de 4 a 5 anos e uma redução de 20% nas ausências escolares. O próximo objetivo da startup é expandir para outros estados e países, com foco na América Latina e países ibéricos.

Além disso, o estigma em torno de transtornos que afetam o comportamento e a fala ainda é um desafio. Abril é o mês de conscientização sobre o autismo, e especialistas alertam sobre mitos que cercam a condição, como a falsa associação com vacinas. A neurologista Liz Rebouças ressalta que esses mitos contribuem para a desinformação e a culpa nos pais.

Rejane Macedo, neurologista do Einstein Hospital Israelita, explica que a desinformação sobre vacinas e autismo foi originada por um artigo de 1998, já desmentido pela comunidade científica. Recentemente, um novo fator, o uso de paracetamol na gravidez, foi erroneamente associado ao autismo, aumentando a preocupação com a saúde das gestantes.

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