O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quinta-feira, 23 de abril de 2026, que Washington não sente pressão para encerrar a guerra com o Irã. No entanto, ele destacou que ‘o relógio está correndo’ para Teerã, à medida que as perturbações decorrentes do conflito afetam a economia mundial.
“Tenho todo o tempo do mundo, mas o Irã não. O relógio está correndo!”, escreveu Trump nas redes sociais. Ele também afirmou que ‘o bloqueio é hermético e firme’ e que a situação só tende a piorar. O presidente reiterou que qualquer acordo para pôr fim à guerra será feito nos termos dos Estados Unidos e no seu próprio tempo, enfatizando que um acordo só será alcançado ‘quando for apropriado e bom’ para os EUA e seus aliados.
Do ponto de vista econômico, a guerra, que começou com ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irã em 28 de fevereiro, já provoca a pior crise energética enfrentada pelo mundo. O diretor da Agência Internacional de Energia, Fatih Birol, afirmou que a combinação da crise do petróleo com a crise do gás envolvendo a Rússia resulta em uma crise enorme, afetando não apenas petróleo e gás, mas também fertilizantes e produtos petroquímicos.
Birol alertou que a falta desses produtos impulsionará a inflação mundial, especialmente em países emergentes e em desenvolvimento, desacelerando o crescimento econômico. Ele já havia classificado a atual crise global de petróleo e gás como ‘mais grave do que as de 1973, 1979 e 2022 juntas’.
Na terça-feira, Trump prorrogou por tempo indeterminado o cessar-fogo com Teerã para dar mais tempo às negociações de paz, em meio a indefinições no Estreito de Ormuz. Na quarta-feira, o principal negociador do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que um cessar-fogo total só faz sentido se os Estados Unidos encerrarem o bloqueio naval aos portos iranianos, citando uma ‘violação flagrante’ da trégua.
Um dia após essa declaração, o Departamento de Defesa dos Estados Unidos anunciou a apreensão de mais um petroleiro associado ao contrabando de petróleo do Irã. A apreensão ocorreu no Oceano Índico, após Teerã atacar três navios de carga no Estreito de Ormuz, capturando dois deles.
O exército do Irã informou que ‘a força naval do Corpo de Guarda Revolucionária Islâmica identificou e deteve esta manhã, no Estreito de Ormuz, dois navios infratores’. Desde o início da guerra entre Irã, Israel e Estados Unidos, mais de 30 navios foram atacados nas águas do Golfo Pérsico, do Estreito de Ormuz e do Golfo de Omã.
A ameaça de ataques, o aumento dos prêmios de seguro e outros temores têm interrompido o tráfego marítimo pelo estreito, uma rota pela qual, em tempos de paz, transita 20% das exportações mundiais de petróleo e gás, além de outros produtos essenciais.


