O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu cassar o mandato do prefeito de Cabedelo, na Paraíba, André Luís Almeida Coutinho, do partido Avante, e da vice, Camila Lucena, do PP. A decisão foi tomada em razão de acusações de envolvimento em um esquema de compra de votos, coação de eleitores e uso da máquina pública para beneficiar candidatos ligados à facção Tropa do Amigão, associada ao Comando Vermelho.
Com o afastamento definitivo dos gestores, novas eleições para o município estão agendadas para o próximo domingo, 12 de abril. O Ministério Público Eleitoral (MPE) revelou que os dirigentes da prefeitura nomeavam pessoas ligadas à facção para cargos comissionados e empregos terceirizados, com indicações de líderes do tráfico. Entre os contratados estava a filha adotiva de um dos principais líderes da facção.
O MPE também apontou que cestas básicas, bens e dinheiro eram oferecidos aos eleitores em troca de votos para a chapa vencedora e para o vereador Marcio Alexandre de Melo e Silva, do União Brasil, que também teve seu mandato cassado. As investigações indicaram que 42 comprovantes de votação foram enviados no dia da eleição, acompanhados de chaves Pix, resultando em transferências de valores entre 80 e 300 reais para eleitores.
O relator do caso no TSE, ministro Villas Bôas Cueva, destacou em seu voto que as irregularidades são graves e comprometeram a legitimidade da disputa eleitoral de 2024. André Coutinho lamentou o resultado do julgamento e afirmou que não cometeu irregularidades, defendendo sua trajetória pública pautada pela legalidade e respeito às instituições. Camila Lucena também negou qualquer tipo de irregularidade e disse ter a consciência tranquila.


