O caso do ovo de Páscoa envenenado, que resultou na morte dos irmãos Luís Fernando, de 7 anos, e Evelyn Fernanda, de 13, em Imperatriz, no sul do Maranhão, completou um ano nesta semana. A acusada, Jordélia Pereira Barbosa, ainda não foi julgada.
O crime, que chamou atenção por ser planejado, foi motivado por vingança e ciúmes. Jordélia comprou o ovo de Páscoa em um shopping e contratou um motoboy para entregá-lo sem se identificar. O presente foi deixado na casa da família com um bilhete que dizia: “Com amor para Mirian Lira. Feliz Páscoa!!!”.
Jordélia foi indiciada por duplo homicídio qualificado e tentativa de homicídio. A motivação do crime foi confirmada pela Polícia Civil, que apontou ciúmes em relação a Mirian Lira Rocha, mãe das crianças e ex-companheira do ex da acusada. O Ministério Público destacou a torpeza, uso de veneno e dissimulação como qualificadoras do crime.
A Justiça aceitou essas qualificadoras e determinou que Jordélia fosse levada a júri popular. Entretanto, a defesa entrou com recurso pedindo a anulação do julgamento, que aguarda análise do Tribunal de Justiça.
De acordo com a investigação, em janeiro de 2025, Jordélia começou a enviar ameaças a Mirian por meio de perfis falsos nas redes sociais. Em uma das mensagens, dizia: “Família que tem promessa ninguém se mete. E quando faz isso que você está fazendo, paga o preço”.
Dois dias antes do crime, Jordélia comprou uma passagem de ônibus de Santa Inês para Imperatriz. No dia 16 de abril de 2025, ela usou uma identidade falsa para se hospedar em um hotel em Imperatriz. Durante a tarde, tentou realizar uma degustação de trufas no supermercado onde Mirian trabalhava, mas foi impedida pelo gerente.
Às 15h, Jordélia foi filmada em uma loja de chocolates no shopping, onde comprou o ovo de Páscoa. À noite, contratou um motoboy para entregar o chocolate na casa da família. Após a entrega, ligou para Mirian perguntando se ela havia recebido o chocolate. Às 21h, a família consumiu o doce.
Luís Fernando foi o primeiro a passar mal, seguido por Mirian. A família buscou ajuda no hospital, onde Luís Fernando foi entubado. Enquanto isso, Evelyn começou a passar mal em casa e foi levada ao hospital em um carro particular.
Luís Fernando morreu no hospital às 4h do dia 17 de abril. A mãe e a irmã continuavam internadas em estado grave. Jordélia foi presa em flagrante ao desembarcar do ônibus em Santa Inês, com perucas e restos de chocolate.
O corpo de Luís Fernando foi enterrado em 18 de abril, enquanto Mirian e Evelyn permaneciam internadas. A Justiça converteu a prisão de Jordélia em preventiva, e ela foi transferida para o sistema prisional de São Luís.
Mirian apresentou melhora e foi transferida para a enfermaria, mas recebeu a notícia da morte do filho. Evelyn, por sua vez, teve piora clínica e morreu em 22 de abril, cinco dias após o irmão.
O laudo do Instituto de Criminalística confirmou a presença de “chumbinho” no ovo de Páscoa. A análise identificou substâncias tóxicas nos corpos das crianças e no material apreendido com Jordélia. O inquérito foi concluído, e Jordélia foi indiciada novamente.
A Justiça negou o pedido da defesa para exame de sanidade mental em Jordélia, que admitiu ter enviado o ovo, mas negou ter envenenado. O julgamento ainda não ocorreu, pois a defesa recorreu da decisão que a levou a júri.


