Valdemar Costa Neto gera instabilidade na campanha de Flávio Bolsonaro

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

A campanha presidencial de Flávio Bolsonaro enfrenta novos desafios internos, com a atuação do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, gerando instabilidade. Suas declarações controversas têm ampliado os conflitos dentro do partido e dificultado a formação da chapa.

No programa Os Três Poderes, os colunistas Robson Bonin, Mauro Paulino e a editora Laryssa Borges discutiram como o estilo de Valdemar tem provocado crises no entorno bolsonarista. Segundo Bonin, “o Valdemar cada vez que abre a boca ele arruma briga com umas 20 pessoas do PL”.

As falas de Valdemar, muitas vezes feitas sem alinhamento prévio, têm causado desgastes com aliados e com a família Bolsonaro. Um dos pontos de tensão mais recente foi a defesa de uma mulher como candidata a vice, envolvendo nomes como Tereza Cristina. Valdemar reconheceu as dificuldades de consenso ao abordar o tema, afirmando: “É muito difícil”.

A escolha da vice é influenciada pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, o que gera descontentamento em setores da família. Relatos indicam resistência dos filhos de Bolsonaro à ampliação do espaço político da madrasta, criando um impasse, já que, apesar do potencial eleitoral de Michelle, sua participação aprofunda os conflitos internos.

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Além do fator político, há um aspecto financeiro envolvido na escolha de uma vice mulher. Laryssa mencionou o que chamou de “sincericídio” entre dirigentes partidários, explicando que a legislação eleitoral permite o uso ampliado de recursos para candidaturas femininas. “Quando você coloca uma candidata a vice, você destampa o cofre”, afirmou.

Valdemar representa uma lógica diferente da família Bolsonaro, encarnando o pragmatismo do centrão, focado em alianças e resultados imediatos. Isso gera atritos, pois o bolsonarismo opera mais na lógica da lealdade política e da identidade ideológica. “O clã Bolsonaro não gosta dessa figura que negocia independentemente”, disse Bonin.

A sucessão de episódios indica uma campanha desarticulada, com múltiplos centros de poder e falta de coordenação. Para os analistas, o cenário tende a permanecer instável. As divergências entre o partido e a família, somadas às declarações de Valdemar, criam um ambiente de conflito contínuo.

No meio desse embate, Flávio precisa equilibrar interesses distintos: o pragmatismo partidário, a influência familiar e a necessidade de ampliar sua base eleitoral. A definição da vice, que deveria ser um passo estratégico, tornou-se um teste de força interna, e novas crises podem surgir antes do início oficial da campanha.

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