A campanha presidencial de Flávio Bolsonaro enfrenta novos desafios internos, com a atuação do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, gerando instabilidade. Suas declarações controversas têm ampliado os conflitos dentro do partido e dificultado a formação da chapa.
No programa Os Três Poderes, os colunistas Robson Bonin, Mauro Paulino e a editora Laryssa Borges discutiram como o estilo de Valdemar tem provocado crises no entorno bolsonarista. Segundo Bonin, “o Valdemar cada vez que abre a boca ele arruma briga com umas 20 pessoas do PL”.
As falas de Valdemar, muitas vezes feitas sem alinhamento prévio, têm causado desgastes com aliados e com a família Bolsonaro. Um dos pontos de tensão mais recente foi a defesa de uma mulher como candidata a vice, envolvendo nomes como Tereza Cristina. Valdemar reconheceu as dificuldades de consenso ao abordar o tema, afirmando: “É muito difícil”.
A escolha da vice é influenciada pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, o que gera descontentamento em setores da família. Relatos indicam resistência dos filhos de Bolsonaro à ampliação do espaço político da madrasta, criando um impasse, já que, apesar do potencial eleitoral de Michelle, sua participação aprofunda os conflitos internos.
Além do fator político, há um aspecto financeiro envolvido na escolha de uma vice mulher. Laryssa mencionou o que chamou de “sincericídio” entre dirigentes partidários, explicando que a legislação eleitoral permite o uso ampliado de recursos para candidaturas femininas. “Quando você coloca uma candidata a vice, você destampa o cofre”, afirmou.
Valdemar representa uma lógica diferente da família Bolsonaro, encarnando o pragmatismo do centrão, focado em alianças e resultados imediatos. Isso gera atritos, pois o bolsonarismo opera mais na lógica da lealdade política e da identidade ideológica. “O clã Bolsonaro não gosta dessa figura que negocia independentemente”, disse Bonin.
A sucessão de episódios indica uma campanha desarticulada, com múltiplos centros de poder e falta de coordenação. Para os analistas, o cenário tende a permanecer instável. As divergências entre o partido e a família, somadas às declarações de Valdemar, criam um ambiente de conflito contínuo.
No meio desse embate, Flávio precisa equilibrar interesses distintos: o pragmatismo partidário, a influência familiar e a necessidade de ampliar sua base eleitoral. A definição da vice, que deveria ser um passo estratégico, tornou-se um teste de força interna, e novas crises podem surgir antes do início oficial da campanha.

