O advogado internacional de direitos humanos e defensor da anticorrupção, Tutu Alicante, comentou sobre a visita do Papa à Guiné Equatorial, que ocorrerá em breve. Segundo Alicante, essa visita apresenta um paradoxo: embora ofereça uma rara oportunidade de destacar injustiças, também corre o risco de ser apropriada pelo regime para sua própria validação.
Alicante questiona se a autoridade moral do Papa no cenário mundial pode, inadvertidamente, conferir credibilidade ao regime autoritário. Ele observa que, na Guiné Equatorial, os recursos naturais não conseguiram melhorar a sociedade ou traduzir-se em dignidade humana, enquanto a governança é marcada pela exclusão, repressão e erosão da responsabilidade.
O advogado enfatiza que a questão central não é apenas o simbolismo da visita, mas se ela pode catalisar mudanças significativas. É crucial que a visita amplifique o clamor por justiça, transparência e direitos humanos, em vez de apenas reforçar o status quo.
Por fim, Alicante argumenta que a responsabilidade de garantir que a mensagem de reforma prevaleça sobre o espetáculo de poder não recai apenas sobre atores globais como o Vaticano, mas também sobre a mídia, a sociedade civil e os cidadãos.


