Péter Magyar, líder da oposição húngara, venceu o primeiro-ministro Viktor Orbán nas eleições realizadas no domingo, 12 de abril de 2026. A vitória encerra um regime de 16 anos liderado por Orbán, marcado por uma alta participação popular.
Magyar, ex-integrante do partido Fidesz, rompeu com o governo e cresceu com um discurso focado em anticorrupção, restauração institucional e reaproximação com a União Europeia. De acordo com a autoridade eleitoral húngara, o partido Tisza obteve 53,06% dos votos de lista, enquanto a aliança Fidesz-KDNP recebeu 38,43%.
Durante seu discurso aos apoiadores na Praça Batthyány, em Budapeste, Magyar chamou o resultado de uma grande vitória.
““Recebemos um mandato para construir uma pátria funcional e humana para todos os húngaros”,”
afirmou. Ele destacou que lutará pela paz e unificação nacional, prometendo que o novo governo representará a todos,
““porque é esse o dever do governo húngaro”.”
Magyar também pediu a Orbán que não tome decisões que possam impactar o funcionamento do próximo governo e solicitou ao presidente da República, Tamás Sulyok, que formasse um governo sob sua liderança e renunciasse. Além disso, convocou a renúncia dos chefes do judiciário e do procurador-geral.
““A partir de agora, não seremos um país sem consequências; aqueles que roubaram o país devem assumir a responsabilidade”,”
prometeu, mencionando o reestabelecimento do Escritório Nacional de Recuperação de Ativos.
Após a derrota, Orbán reconheceu a situação e declarou que
““o resultado da eleição é doloroso para nós, mas compreensível”.”
Ele parabenizou o partido Tisza e afirmou que continuará a servir ao país, mesmo na oposição.
““O peso da governança não pesa sobre nossos ombros no momento, e por isso é importante que também fortaleçamos nossas comunidades”,”
disse Orbán, enfatizando a necessidade de enviar uma mensagem a 2,5 milhões de eleitores.
Viktor Orbán, do partido Fidesz, fundado em 1988, foi um dos rostos da geração antissoviética desde o fim dos anos 1980. Desde 2010, ele implementou o que chamou de “democracia iliberal”, criticada por adversários e instituições europeias como uma erosão do Estado de Direito. Com maioria de dois terços, o Fidesz aprovou uma nova Constituição em 2011, alterando diversas leis e redesenhando regras eleitorais.
Orbán frequentemente governou por decretos desde 2022, amparado em estado de emergência. Sua agenda ideológica combinou nacionalismo, políticas anti-imigração, defesa de “valores cristãos” e confrontos com pautas LGBTQ+, além de uma política externa voltada para laços mais próximos com Rússia e China.

