O aumento de 10% no preço do barril de petróleo eleva a inflação brasileira entre 0,5 e 0,7 ponto percentual, segundo estudo do Itaú divulgado nesta sexta-feira (22). O impacto pressiona os preços dos combustíveis, energia e alimentos, elevando a expectativa do IPCA para até 4,7% e o Boletim Focus projeta inflação de 4,92% para 2026.
O departamento de pesquisa macroeconômica do Itaú estimou que o avanço de 10% no preço do petróleo resulta em um impacto total de 50 a 70 pontos-base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). O efeito direto, sentido nos preços dos combustíveis e energia, corresponde a 20 pontos-base.
O impacto indireto ocorre via custos intermediários de produção e transporte, com estimativas entre 30 e 50 pontos-base, conforme análise econométrica e dados da Tabela de Recursos e Usos do IBGE. Cerca de um terço desse efeito indireto deriva do óleo diesel, refletindo custos de frete e transporte.
O Boletim Focus revisou a expectativa de inflação para 2026 para 4,92%, superando as projeções iniciais abaixo de 4%. O cenário-base do Itaú projeta inflação de 5,2% ao final do ano, considerando petróleo a US$ 85 por barril e câmbio a R$ 5,15.
Os analistas destacam que o impacto do petróleo já se espalhou para diversos setores, tornando a inflação mais persistente. O estudo alerta para a necessidade de cautela do Banco Central na condução do ciclo de cortes da taxa básica de juros diante do cenário.


