A alta do petróleo e dos combustíveis nos Estados Unidos reduz o espaço para cortes de juros no início da gestão de Kevin Warsh no Federal Reserve, segundo o economista André Mirsky. O preço do petróleo, fora do controle do Fed, pressiona a inflação e dificulta a queda dos juros, mesmo com a desaceleração econômica.
Mirsky afirmou que a gasolina subiu cerca de 60% desde janeiro para o consumidor americano, cenário que limita a margem para redução das taxas de juros nos EUA. O mercado já discute a manutenção ou até aumento das taxas ainda em 2026.
O economista destacou que o risco de estagflação voltou a preocupar, com inflação alta, juros elevados e economia desacelerando globalmente. Para o Brasil, juros americanos altos ainda não representam problema imediato, pois a renda fixa local oferece retorno superior e atrai capital estrangeiro.
Mirsky prevê que a Selic deve terminar o ano próxima dos atuais 13%, sem queda acentuada. Ele também ressaltou que o conflito no Irã elevou o preço do petróleo e reacendeu as preocupações com a inflação.
Sobre o Brasil, o economista afirmou que um ajuste fiscal será obrigatório em 2027, independentemente do resultado da eleição presidencial, e alertou para a necessidade urgente de controle dos gastos públicos para evitar riscos futuros.


