Um aposentado de 67 anos viu sua carteira de investimentos cair de US$ 1,2 milhão para cerca de US$ 1,013 milhão em três semanas, uma perda de US$ 187 mil, após uma desvalorização de 16% no índice S&P 500. O caso, relatado em fóruns online, ilustra o risco de sequência de retornos que pode comprometer a renda vitalícia de quem depende de retiradas regulares.
A perda ocorre quando o aposentado, com carteira 100% em ações, precisa sacar US$ 4.000 mensais (4% ao ano) para despesas. Com a queda, ele é forçado a vender mais ações para obter o mesmo valor, reduzindo permanentemente a base de investimentos que se recuperaria com o mercado. Pesquisas mostram que um tombo de 15% no primeiro ano de aposentadoria pode reduzir a taxa segura de retirada em cerca de 25% ao longo de 30 anos.
Para evitar vendas forçadas em futuras quedas, especialistas recomendam três medidas. A primeira é a estratégia de baldes (bucket strategy): manter de um a três anos de gastos em títulos do Tesouro de curto prazo (com yields atuais em torno de 4%), de três a sete anos em títulos intermediários e o restante em ações. A segunda é construir uma escada de títulos do Tesouro de cinco anos, alocando US$ 200 mil de forma que US$ 40 mil vençam a cada ano, garantindo retiradas independentemente do mercado de ações. A terceira é tratar o Seguro Social como um título de renda fixa: adiar o benefício dos 67 para os 70 anos pode aumentar o valor em cerca de 24%, equivalente a ter mais US$ 1 milhão em ativos seguros.
Uma alocação razoável para um aposentado dessa idade seria de 50% a 60% em ações, com o restante em uma escada de títulos de prazo intermediário e equivalentes de caixa. A realocação deve ser feita preferencialmente em contas do tipo IRA, onde os juros de títulos são protegidos de impostos. Evita-se, assim, o erro de vender tudo após uma queda, que trava as perdas que a estrutura deveria prevenir.


