A maioria dos aposentados mantém 60% a 70% dos ativos em contas pré-tributadas, como 401(k) e IRA, o que cria uma ‘bomba tributária’ na idade das distribuições mínimas obrigatórias (RMDs). Segundo a planejadora financeira Julia Lembcke, a ordem de retirada dos fundos tem ‘enorme impacto’ nos impostos ao longo da vida.
Segundo Lembcke, a estratégia convencional de esgotar primeiro as contas tributáveis (corretagem), depois as pré-tributadas, gera concentração de renda tributável quando as RMDs começam. Para um casal de 62 anos com US$ 2 milhões divididos 80/15/5 entre IRA tradicional, corretagem e Roth, retirar US$ 100 mil anuais seguindo a ordem tradicional leva a um IRA de quase US$ 2 milhões aos 73 anos, com RMDs que excedem o necessário, elevando a alíquota e acionando sobretaxas do Medicare (IRMAA) e o Imposto sobre Renda de Investimento Líquido (NIIT).
Lembcke recomenda uma sequência mesclada: dos 62 aos 70 anos, retirar US$ 40 mil do IRA e US$ 60 mil da corretagem por ano, mantendo-se na faixa de 12% do imposto de renda. Simultaneamente, converter US$ 30 mil a US$ 50 mil anuais para Roth, ocupando as faixas de 12% e 22%. Aos 73, o IRA tradicional terá saldo menor, as RMDs serão administráveis e a economia tributária pode chegar a seis dígitos. A janela entre a aposentadoria e os 63 anos é crucial, pois após essa idade o Medicare usa a renda dos dois anos anteriores para calcular sobretaxas (IRMAA).
Lembcke alerta que a maioria dos aposentados não tem caixa tributável suficiente para fazer conversões significativas quando 90% dos ativos estão em contas pré-tributadas. Pagar o imposto da conversão com o próprio IRA anula o benefício. Ela recomenda calcular a proporção pré-tributada, mapear a janela do IRMAA e modelar dois cenários de RMDs. ‘A sequência é a estratégia’, disse.


