O Cordão da Mentira e o Movimento Mães de Maio promoveram neste sábado (16) um ato na Avenida Paulista, em São Paulo, para marcar os 20 anos dos Crimes de Maio, que resultaram em mais de 500 mortes em retaliação policial no estado.
O protesto começou no Parque Trianon, em frente ao Museu de Arte de São Paulo (Masp), e seguiu em caminhada até o restaurante e centro cultural palestino Al Janiah, no bairro do Bixiga. O ato foi organizado pelo Movimento Mães de Maio, fundado por mães de vítimas dos Crimes de Maio, e pelo Cordão da Mentira, cordão carnavalesco criado em 2012 para denunciar violações de direitos humanos.
Segundo o diretor de cinema e coordenador do Cordão da Mentira, Thiago Mendonça, o cortejo é uma forma de denúncia e memória viva contra a injustiça e o esquecimento. Ele explicou que o bloco tradicionalmente sai no dia 1º de abril, Dia da Mentira, para lembrar a violência do Estado desde a ditadura civil-militar, mas neste ano decidiu realizar uma edição extra para marcar os 20 anos dos Crimes de Maio, que seguem sem responsabilizações.
Débora Maria da Silva, fundadora do Movimento Mães de Maio e mãe de Edson Rogério Silva, morto pela polícia durante os Crimes de Maio, afirmou que o Cordão da Mentira é a alma do movimento e serve para manter a luta durante o ano. Ela também destacou a união com a causa palestina: “A bala que mata lá também mata aqui, na nossa periferia”.
Relatório do Laboratório de Análises da Violência da Universidade Federal do Rio de Janeiro aponta que, durante os Crimes de Maio, pelo menos 564 pessoas foram mortas, sendo 505 civis e 59 agentes públicos. Há suspeita de execução policial em pelo menos 122 casos, com grande parte das vítimas negras, jovens e pobres. O ato reuniu ainda mais de 60 mães de vítimas de violência de todo o Brasil.

