Um levantamento coordenado pela Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas mostra que a bioeconomia da sociobiodiversidade gera R$ 13,5 bilhões anuais no Pará, emprega mais de 271 mil pessoas e enfrenta desafios como informalidade e mudanças climáticas.
O estudo, realizado em parceria com universidades federais do Pará, utilizou metodologias da ONU e do IBGE para mapear o impacto econômico das cadeias produtivas ligadas à floresta e às comunidades amazônicas. Entre os principais segmentos estão a mandioca, com R$ 6,5 bilhões em produção anual, pesca e aquicultura (R$ 2,7 bilhões), cacau (R$ 1,7 bilhão) e açaí (R$ 1,5 bilhão).
O setor emprega mais de 271 mil pessoas e gera cerca de R$ 1,4 bilhão em massa salarial. Cada R$ 1 investido na bioeconomia gera R$ 1,13 no PIB estadual, chegando a R$ 1,40 na comercialização. O presidente da Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas, Marcel Botelho, afirmou que o estudo representa uma mudança estratégica para o desenvolvimento amazônico.
O levantamento também revelou que a produção real de cumaru é maior que a oficial, com 267 toneladas e R$ 24,4 milhões movimentados, e que o produto ganha até 330% de valor após a industrialização, processo que ocorre em grande parte fora do Pará. A informalidade elevada e a distribuição desigual da renda são desafios apontados, assim como os impactos das secas e queimadas em municípios paraenses.
A diretora da fundação, Atyliana Dias, destacou que o setor já é relevante economicamente, mas precisa avançar na redistribuição de renda, fortalecimento social e proteção territorial para enfrentar a crise climática e consolidar um modelo sustentável de desenvolvimento.


