A Superintendência-Geral do Cade instaurou processo administrativo contra o Itaú Unibanco para apurar supostas infrações à ordem econômica. O banco é acusado de bloquear injustificadamente operações de aporte via cartão de crédito em carteiras digitais concorrentes, como PicPay, Mercado Pago e RecargaPay, enquanto permitia transações semelhantes em sua própria carteira, o It. O banco terá 30 dias para apresentar defesa.
Segundo o Ministério Público Federal, o Itaú detém 22% do mercado de cartões de crédito e teria adotado “tratamento assimétrico” para favorecer seu ecossistema. A decisão do superintendente-geral do Cade, Alexandre Barreto de Souza, acolheu integralmente nota técnica da promotoria. O caso começou em 2024 com denúncia do PicPay.
Em 2025, o Cade concedeu medida preventiva suspendendo os bloqueios sob pena de multa. O Itaú questionou a medida, alegando que outros bancos também adotam restrições. Técnicos do Cade sugeriram investigar Bradesco, Santander, Banco do Brasil e Caixa, que somam 34% do mercado, mas nenhum foi incluído no processo até o momento.
Procurado pela imprensa, o Itaú não se manifestou. Em manifestações anteriores, o banco afirmou que suas políticas são isonômicas e baseadas em riscos. Disse que as transações com cartões em carteiras digitais têm inadimplência até cinco vezes maior que compras tradicionais, e que as restrições são aplicadas desde 2022 com respaldo do Banco Central e das bandeiras, visando proteger clientes vulneráveis.


