A China adiou a aprovação para a entrega de aeronaves da Airbus como forma de pressionar os reguladores europeus a acelerarem a certificação dos aviões fabricados pela chinesa Comac, segundo fontes familiarizadas com o assunto. A Administração de Aviação Civil da China (CAAC) não deu aval final para que os jatos da Airbus entrassem em serviço no país nos últimos meses.
A Airbus entregou no primeiro trimestre o menor número de jatos comerciais desde 2009. O presidente-executivo, Guillaume Faury, afirmou no mês passado que o atraso se deveu a uma “questão administrativa” que impediu a entrega de quase 20 aeronaves destinadas à China. Em teleconferência de resultados em 28 de abril, Faury disse que o problema foi resolvido e que os aviões seriam enviados no segundo trimestre.
O diretor financeiro, Thomas Toepfer, informou que a Airbus acumulou cerca de 5 bilhões de euros (US$ 5,82 bilhões) em estoques no trimestre, atribuindo o acúmulo principalmente à interrupção das entregas na China. Ele disse que as aeronaves “foram construídas e estavam prontas, mas não puderam ser entregues”.
Em janeiro, a imprensa informou que a Agência Europeia para a Segurança da Aviação (EASA) realizava voos de teste para avaliar o avião C919 da Comac, visando certificação. Em comunicado, a EASA afirmou que o trabalho de validação “progride com a total cooperação da Comac e da CAAC”, mas não comentou sobre o cronograma. A certificação permitiria que a Comac vendesse o C919, que compete com o A320 da Airbus e o 737 da Boeing, para companhias aéreas ocidentais.

