A Associação da Indústria de Carnes de Tianjin, na China, comprometeu-se a comprar 50 mil toneladas de carne bovina brasileira certificada e livre de desmatamento até o fim de 2026. A iniciativa representa 4,5% das exportações brasileiras ao mercado chinês e pode incentivar cadeias de suprimento mais sustentáveis.
Xing Yanling, líder da associação de Tianjin, visitou a Amazônia brasileira em abril e destacou a importância de oferecer carne bovina sustentável, rastreável e segura para consumidores chineses que aumentam sua exigência ambiental. O selo “Beef on Track”, desenvolvido pela ONG Imaflora, certifica a rastreabilidade e a legalidade das fazendas fornecedoras.
Importadores chineses estão dispostos a pagar até 10% a mais por carne de frigoríficos que comprovem ausência de ligação com desmatamento ou trabalho escravo. A China, maior importadora mundial de carne bovina, enfrenta cotas que limitam as importações a 1,1 milhão de toneladas em 2026, o que pode restringir o crescimento do mercado sustentável.
Especialistas destacam que a carne bovina brasileira é a mercadoria agrícola mais associada ao desmatamento na China. A certificação busca valorizar esforços já existentes de sustentabilidade e rastreabilidade, criando oportunidades para produtores brasileiros, apesar das preocupações do setor exportador sobre possíveis barreiras comerciais.
O projeto de sustentabilidade de Tianjin pode representar um avanço na redução do impacto ambiental do comércio bilateral, ao mesmo tempo em que enfrenta desafios como a fragilidade do sistema brasileiro de rastreabilidade e as restrições impostas pela política comercial chinesa.

