Um comprimido chamado daraxonrasib aumentou a sobrevida mediana de pacientes com câncer de pâncreas metastático de 6,7 para 13,2 meses, segundo estudo clínico apresentado em 2026.
O câncer de pâncreas é uma doença silenciosa e agressiva, com diagnóstico tardio em cerca de 80% dos casos. A mutação no gene RAS mantém a proteína RAS ativada permanentemente, estimulando o crescimento descontrolado das células tumorais. Por décadas, essa proteína foi considerada inalcançável para tratamentos.
O daraxonrasib, desenvolvido pela empresa americana Revolution Medicines, é um inibidor pan-RAS que age sobre múltiplas variantes da proteína, incluindo as mais comuns no câncer de pâncreas. O medicamento é oral e apresentou efeitos colaterais geralmente seguros, como reações de pele, náuseas, fadiga e mucosite.
O ensaio clínico de Fase 3 RASolute 302 envolveu cerca de 500 pacientes que já haviam feito quimioterapia e não tinham mais opções. O grupo que recebeu daraxonrasib teve sobrevida mediana de 13,2 meses, contra 6,7 meses do grupo que seguiu com quimioterapia padrão. O risco de morte caiu 60% com o novo tratamento.
Nos Estados Unidos, o FDA concedeu ao daraxonrasib o status de Breakthrough Therapy, designação de medicamento órfão e o incluiu no programa National Priority Voucher, garantindo revisão acelerada. No Brasil, o medicamento ainda depende de aprovação da Anvisa e de diretrizes da ANS para cobertura pelos planos de saúde.


