Até 30 mil funcionários da Oracle foram demitidos no último mês, enquanto a empresa direciona bilhões de dólares para projetos de inteligência artificial e construção de data centers. O corte, que afetou profissionais com décadas de serviço, gerou protestos e denúncias sobre a forma como a tecnologia está sendo usada para substituir trabalhadores.
A Oracle, gigante global de tecnologia, iniciou uma das maiores ondas de demissões do setor ao dispensar até 30 mil colaboradores em sua recente reestruturação. O movimento ocorre em meio à aposta da companhia na inteligência artificial, com investimentos bilionários em infraestrutura e parcerias estratégicas para ampliar sua presença no mercado de IA. Segundo relatos de ex-funcionários, muitos foram instruídos a treinar sistemas de IA que, posteriormente, passaram a executar suas funções, alimentando o temor de substituição tecnológica.
Os cortes atingiram principalmente profissionais experientes, alguns com mais de 15 anos de casa, e resultaram na perda de benefícios como ações restritas não adquiridas, que somavam valores expressivos. Uma pesquisa com 272 demitidos revelou que 62% tinham mais de 40 anos e 22% trabalhavam na empresa há mais de 15 anos. Além disso, funcionários estrangeiros em regime de visto enfrentam risco de deportação devido ao curto prazo para recolocação no mercado.
O pacote de indenização oferecido pela Oracle foi criticado por estar abaixo do padrão do setor, com apenas quatro semanas de salário base e uma semana adicional por ano de serviço. Em resposta, mais de 600 ex-empregados assinaram uma carta exigindo melhores condições, incluindo extensão do plano de saúde e aceleração de ações. A empresa, no entanto, afirmou que negociará apenas individualmente, rejeitando demandas coletivas.
A mobilização dos trabalhadores demitidos reflete uma crescente consciência trabalhista no setor de tecnologia, tradicionalmente pouco sindicalizado. Organizações de defesa dos trabalhadores relatam aumento no interesse por ações coletivas diante do avanço da automação e das incertezas geradas pela adoção de IA. Ex-empregados da Oracle temem que o caso seja apenas o início de uma transformação mais ampla, na qual pessoas são tratadas como ativos descartáveis diante da busca por eficiência e lucro.
O episódio lança luz sobre o impacto social das decisões corporativas em tecnologia e coloca em debate o equilíbrio entre inovação, responsabilidade social e proteção dos direitos dos trabalhadores em um cenário de rápidas mudanças.

