O índice de desconforto financeiro das famílias brasileiras alcançou o valor máximo de 1,0 em fevereiro de 2026, segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV). O comprometimento da renda com dívidas chegou a 29,7%, e a inadimplência acima de 90 dias atingiu 7,2%, ambos recordes históricos.
O Índice de Desconforto Financeiro, criado pela FGV em 2014, atingiu o teto da metodologia em fevereiro de 2026, refletindo o pior momento desde o início da série histórica em 2011. O indicador considera comprometimento de renda, inadimplência e qualidade do crédito.
Segundo o levantamento, 25,1% do crédito livre para pessoas físicas está concentrado em modalidades de alto custo, como cheque especial, rotativo do cartão e crédito pessoal não consignado. Isso indica que um em cada quatro reais tomados pelas famílias está em linhas de crédito caras.
O governo planeja lançar o novo programa Desenrola Brasil para apoiar o refinanciamento de dívidas, mas pesquisadores da FGV alertam que essa medida pode aliviar temporariamente o desconforto financeiro, sem resolver a tendência de alta no longo prazo.
Na quarta-feira (27), será realizado em São Paulo o lançamento do FGV Money Lab, evento que reunirá economistas e especialistas para discutir o endividamento estrutural das famílias, os riscos econômicos de 2026 e os impactos das apostas online no comportamento financeiro da população.


