A divergência em torno da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que amplia a autonomia orçamentária do Banco Central (BC) aumentou o desgaste entre o presidente da instituição, Gabriel Galípolo, e o Ministério da Fazenda. Galípolo disse que recebeu com estranhamento informações de que integrantes da equipe econômica estariam preocupados com o impacto fiscal da medida, uma vez que o texto teria sido sugerido pela própria equipe e consolidado pela Advocacia-Geral da União (AGU).
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, rebateu as afirmações e negou que o texto em tramitação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado tenha sido acordado com a equipe econômica. “O texto que está na CCJ não é o que foi apresentado, não foi fechado, pela equipe econômica. A gente apresentou outra proposta”, afirmou. Durigan não detalhou a sugestão, mas disse que ela buscava evitar o aumento da dívida pública, que pode ocorrer com o formato atual.
A última versão do parecer do relator, senador Plínio Valério (PSDB-AM), cria a figura de “entidade pública de natureza especial” para o BC, o que elevaria a dívida bruta em 10 a 15 pontos percentuais. O governo prefere manter o BC como autarquia e resolver a questão orçamentária sem alterar seu status.
A tensão entre Galípolo e a Fazenda não é nova. Em maio de 2025, houve um desentendimento público sobre o aumento do IOF. Nos meses seguintes, a condução dos juros pelo Comitê de Política Monetária (Copom) e outras divergências agravaram o relacionamento.


