Quatro em cada dez alunas faltam às aulas pelo menos uma vez por mês devido a sintomas menstruais, segundo pesquisa do Instituto Alana e Instituto Equidade.Info divulgada nesta terça-feira (26).
A pesquisa, realizada com 2,5 mil estudantes e 303 professoras do Ensino Fundamental e Médio das redes pública e privada em todas as regiões do país, aponta que a cólica menstrual é o principal sintoma, relatado por 57,7% das alunas. Outros sintomas incluem cansaço, dor no corpo, dor de cabeça, vergonha e medo de vazamento, além da falta de banheiro ou produtos de higiene.
Segundo Guilherme Lichand, professor da Universidade de Stanford e supervisor técnico da pesquisa, as meninas tendem a faltar mais que os meninos, e a intensidade da dor está relacionada ao absenteísmo. Ele afirma que, sem políticas adequadas, o direito à educação dessas estudantes não é garantido.
Especialistas destacam a necessidade de políticas escolares que compensem o conteúdo perdido e evitem punições às estudantes pelas faltas relacionadas à dor menstrual. Sofia Reinach, líder da iniciativa de saúde menstrual do Instituto Alana, afirma que a dor deve ser tratada como um impacto funcional recorrente e que o tema deve ser abordado desde o início do Ensino Fundamental.
A pesquisa também revela que a menstruação é pouco compreendida como questão coletiva na escola, com 36,8% dos meninos afirmando não pensar muito sobre o tema, contra 19,7% das meninas. Além disso, 36,5% das alunas menstruam até os 10 anos, e 65,2% até os 11 anos.


