O fenômeno El Niño pode se intensificar nos próximos meses e provocar chuvas acima da média no Sul do Brasil, segundo análise da Universidade Federal do Rio Grande (FURG). O Centro Interinstitucional de Observação e Previsão de Eventos Extremos (Ciex) alerta para a necessidade de ações preventivas.
O El Niño, caracterizado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial, pode alcançar níveis de forte a muito forte em 2026, impactando o regime de chuvas no Sul do Brasil. A tendência é de volumes elevados, conforme análise da Universidade Federal do Rio Grande (FURG) e dados do Centro Interinstitucional de Observação e Previsão de Eventos Extremos (Ciex).
A coordenadora do Ciex, Elisa Fernandes, afirmou que o objetivo é antecipar respostas e apoiar o planejamento dos órgãos públicos para evitar reações tardias, como ocorreu em maio de 2024. O meteorologista Ricardo Gotuzzo destacou que previsões detalhadas dependem de monitoramento contínuo para definir impactos em áreas específicas.
Em Rio Grande, medidas preventivas já são adotadas, incluindo recuperação de sistemas de drenagem e reassentamento de famílias em áreas vulneráveis, como no bairro Vila da Quinta, onde 55 moradias estão em construção. O secretário Glauber Gonçalves ressaltou que as ações buscam reduzir a vulnerabilidade diante da possibilidade de maiores acumulados de chuva na primavera e verão.
Um estudo do Instituto de Pesquisas Hidráulicas da UFRGS indicou que o El Niño pode aumentar em até 160% a probabilidade de cheias na Bacia do Prata, que abrange parte do Rio Grande do Sul. O fenômeno atua como amplificador do risco de eventos extremos, que dependem de múltiplos fatores meteorológicos e hidrológicos. Especialistas recomendam atenção e preparação contínua para o novo episódio em 2026.


