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Leitura: Elena Ferrante expõe a desintegração existencial da mulher em ‘Dias de Abandono’
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Cultura

Elena Ferrante expõe a desintegração existencial da mulher em ‘Dias de Abandono’

Editor
Última atualização: 16 de maio de 2026 22:05
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Tempo: 2 min.
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Elena Ferrante, escritora italiana anônima, publicou em 2002 “Dias de Abandono”, que narra a desintegração existencial de Olga após o abandono do marido. A obra acompanha o estado mental da protagonista e desconstrói a imagem da mulher que sofre de forma domesticada.

“Dias de Abandono” apresenta Olga, mulher de trinta e poucos anos, mãe de dois filhos, que é abandonada pelo marido Mario, que parte com uma mulher mais jovem. O livro não foca no abandono em si, mas nas consequências existenciais que ele provoca na protagonista.

A escrita acompanha o colapso mental de Olga: no início, a prosa é controlada, mas à medida que seu estado se agrava, as frases tornam-se curtas, caóticas e repetitivas, refletindo sua desintegração. Uma cena emblemática mostra Olga trancada no apartamento, incapaz de abrir a porta enquanto cuida dos filhos e do cachorro agonizante.

Ferrante opta por narrar exclusivamente pela perspectiva de Olga, tornando-a uma narradora não confiável, pois seu colapso distorce a percepção dos fatos. Mario e a amante são apresentados como funções narrativas, sem acesso a suas motivações. A raiva de Olga se materializa em um episódio em que Mario leva as joias de família para a amante, simbolizando a redistribuição do passado.

O existencialismo de Søren Kierkegaard é citado para explicar a ruminação de Olga, que representa uma recusa inconsciente de integrar a realidade. O livro termina com uma despedida discreta, na qual Olga para de tentar entender Mario e o vê com indiferença, sem perdão, mas sem a construção do monstro.

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