A Estrela, fabricante brasileira de brinquedos icônicos como Banco Imobiliário e Susi, entrou com pedido de recuperação judicial nesta quarta-feira (20) na Justiça de Minas Gerais, alegando dívidas de R$ 109 milhões e dificuldades financeiras decorrentes de pressões econômicas e setoriais.
A Estrela, fundada em 1937 pelo alemão Siegfried Adler, atravessou gerações e crises, mas agora enfrenta novo revés com pedido de recuperação judicial que inclui suas oito subsidiárias. A empresa citou aumento do custo de capital, restrições de crédito e maior competição de alternativas digitais como causas do pedido.
O setor de brinquedos no Brasil faturou R$ 10,39 bilhões em 2025, com produção nacional representando 53%. Desde os anos 1990, a Estrela perdeu competitividade diante da entrada de brinquedos importados de menor custo, principalmente da Ásia, e mudanças no comportamento das crianças, que passaram a preferir eletrônicos.
José Antonio Ferraiuolo, sócio da 2xCapital, afirmou: “Desde os anos 1990, a empresa perdeu muita competitividade. Os percalços de mercado vão se acumulando.” Roberto Wajnsztok, sócio-diretor da Gouvêa Consulting, acrescentou: “A maior participação dos eletrônicos para o público infantil afetou diretamente as receitas da empresa, impactado também pelas importações, principalmente do mercado asiático, o que acaba drenando a demanda.”
A reestruturação da Estrela inclui ajustes de custo, terceirização de parte da produção e aumento da importação de alguns produtos para tornar a operação mais leve. Após o anúncio, as ações da companhia caíram 33,48%, negociadas a R$ 3, com valor de mercado de R$ 24,25 milhões.


