Pesquisadores da Universidade Federal do Pará concluíram em 2025 estudo que aponta relação entre uso frequente de inseticidas domésticos e risco de doença de Parkinson em idosos das ilhas de Belém, no Pará.
A pesquisa epidemiológica realizada entre 2022 e 2025 visitou 1.163 moradores com mais de 60 anos nas ilhas de Cotijuba, Combu, Outeiro, comunidade do Fama e Mosqueiro, na Região Metropolitana de Belém. Cerca de 60% dos entrevistados afirmaram usar inseticidas pelo menos uma vez por semana.
Os pesquisadores observaram que muitos produtos são aplicados em excesso, especialmente em ambientes fechados, como quartos, para combater pernilongos. Parte dos inseticidas utilizados não possui registro sanitário para uso doméstico, incluindo carrapaticidas veterinários à base de cipermetrina, usados por moradores para combater mosquitos transmissores de doenças.
O descarte inadequado desses produtos pode contaminar o lençol freático e a água consumida pelas famílias ribeirinhas, segundo a doutoranda Juliana Duarte, integrante da equipe do estudo. O neurologista Bruno Lobato afirmou que há décadas a literatura médica relaciona exposição prolongada a pesticidas ao surgimento da doença de Parkinson, e que pesticidas domésticos também representam risco.
A professora Lane Krejcova explicou que inseticidas domésticos registrados e usados corretamente apresentam menor toxicidade, mas o uso excessivo e sem ventilação adequada aumenta os riscos à saúde. A prevalência da doença de Parkinson nas ilhas pesquisadas foi de 1,63% entre idosos acima de 60 anos.
Devido ao acesso limitado à internet e infraestrutura reduzida, os pesquisadores realizaram visitas presenciais porta a porta para coletar dados. Eles recomendam campanhas educativas e políticas públicas para o uso correto de inseticidas e controle de mosquitos com alternativas menos agressivas, visando reduzir a exposição a substâncias tóxicas e o risco de Parkinson na região.


