O governo dos Estados Unidos anunciou a retirada de 5.000 soldados da Alemanha, medida que pode marcar o início de uma redução ainda mais expressiva da presença militar americana na Europa. O presidente Donald Trump afirmou que o corte pode ser ampliado, elevando a preocupação entre aliados europeus e parlamentares americanos sobre o futuro da segurança regional.
A decisão foi comunicada pelo Pentágono após uma “revisão completa da postura de forças do Departamento na Europa”, levando em conta “requisitos do teatro e condições no terreno”. Em declaração à imprensa, Trump afirmou: “Vamos cortar muito mais do que 5.000”. O anúncio ocorre em meio a tensões prolongadas entre os EUA e aliados europeus, especialmente após a recusa de países da Otan em apoiar os EUA e Israel na guerra contra o Irã.
O chanceler alemão Friedrich Merz criticou a condução americana no conflito iraniano, dizendo que os EUA estão sendo “humilhados” pelo impasse. Apesar da retirada, o ministro da Defesa da Alemanha, Boris Pistorius, declarou que a presença americana continua sendo de interesse mútuo, já que o país ainda abrigará 30.000 soldados dos EUA.
Parlamentares republicanos do Comitê de Serviços Armados manifestaram preocupação, alegando que a medida pode enviar “o sinal errado a Vladimir Putin” enquanto a Rússia mantém sua invasão à Ucrânia. Eles destacaram que a Alemanha aumentou gastos em defesa e facilitou operações americanas, mas consideram o corte um risco para a estabilidade europeia.
Trump também ameaçou retirar tropas de Espanha e Itália, alegando falta de apoio desses países na guerra do Irã. O presidente criticou líderes europeus, especialmente após Espanha negar acesso a bases militares e Itália impedir o uso de uma base na Sicília. O clima de tensão se intensificou após críticas de Pedro Sánchez e Giorgia Meloni à atuação americana.
Além das retiradas, o Pentágono alertou aliados da Otan sobre atrasos na entrega de armas, devido à necessidade de recompor estoques usados na guerra do Irã. Países como Reino Unido, Polônia e Lituânia devem ser afetados, agravando a escassez de sistemas de defesa na Ucrânia. O comissário europeu Andrius Kubilius classificou a situação como “crítica” e defendeu a produção urgente de mísseis na União Europeia.
O cenário coloca em xeque o compromisso dos EUA com a segurança europeia e levanta dúvidas sobre a capacidade de resposta a ameaças da Rússia e de outros atores globais. Trump, por sua vez, minimizou preocupações sobre estoques militares, afirmando: “Em todo o mundo, temos inventário, e podemos usar se necessário”.


