A Europa enfrenta uma onda de calor incomum para maio, com temperaturas até 15°C acima da média em países como Reino Unido, França, Espanha e Portugal. O fenômeno, causado por uma cúpula de calor, eleva riscos de saúde, incêndios e sobrecarga dos serviços públicos.
O Reino Unido registrou o dia de maio mais quente desde o início das medições meteorológicas, com Londres alcançando 35°C, segundo o Met Office. Na França, Nantes teve temperaturas entre 34°C e 35°C, e Paris deve ultrapassar 32°C nos próximos dias. Espanha e Portugal enfrentam marcas próximas dos 40°C.
Dados do serviço climático europeu Copernicus indicam que a temperatura média na Europa subiu cerca de 2,5°C desde o período pré-industrial, quase o dobro do aumento global, que é de 1,4°C. O derretimento acelerado do gelo no Ártico e a redução da neve na Europa aumentam a absorção de calor no continente.
Além disso, sistemas de alta pressão têm permanecido mais tempo sobre a Europa, prendendo o ar quente e favorecendo ondas de calor mais longas e intensas. A redução da poluição atmosférica desde os anos 1980 também contribui para o aumento das temperaturas, pois menos partículas refletem a radiação solar.
Peter Thorne, diretor do Centro de Pesquisa Climática Icarus, afirmou que ondas de calor como esta se tornaram mais prováveis e severas devido às mudanças climáticas. Relatórios do Copernicus apontam que mais de 62 mil pessoas morreram por causas relacionadas ao calor na Europa em 2024, o ano mais quente já registrado globalmente.


