Auditores fiscais do Trabalho identificaram 346 adolescentes submetidos a assédio moral e condições prejudiciais à saúde em duas empresas de telemarketing de Curitiba, em operações realizadas entre outubro de 2025 e abril de 2026.
As fiscalizações, coordenadas pela Secretaria de Inspeção do Trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego, ocorreram em duas etapas: entre 20 e 25 de outubro de 2025 e entre 20 e 24 de abril de 2026. Na primeira, foram encontrados 218 adolescentes; na segunda, 128. Cerca de 70% dos jovens eram do sexo feminino.
Os auditores identificaram um padrão irregular na organização do trabalho, incluindo exposição pública do desempenho, controle rígido das pausas e do uso do banheiro, pressão por metas e agressões verbais de clientes. Adolescentes relataram ofensas frequentes, episódios com conteúdo sexual e ameaças, sem pausas para acolhimento ou mecanismos eficazes para coibir abusos.
Após as autuações, os adolescentes foram afastados das funções de telemarketing. As empresas podem realocá-los em atividades permitidas para a idade ou rescindir os contratos com pagamento dos direitos. Segundo a auditora-fiscal do trabalho Paula Neves, o modelo adotado gera forte pressão psicológica e restringe a autonomia dos jovens, expondo-os a violência verbal.
A legislação brasileira proíbe o trabalho de adolescentes de 16 e 17 anos em atividades que prejudiquem seu desenvolvimento físico, psíquico, moral e social, exigindo proteção especial para essa faixa etária.

