Os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) intermediários, com carteiras entre mil e 10 mil direitos, registram inadimplência média de 4,8%, segundo dados da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) analisados pela Bless Capital. O segmento, que cresceu 47,6% nos quatro primeiros meses do ano, exige atenção por desafios operacionais e risco oculto.
Os FIDCs foram responsáveis por 27% do volume captado pelo mercado de capitais em abril, com R$ 14,9 bilhões em ofertas, segundo a Bless Capital. Fundos pequenos, com até 100 direitos creditórios, apresentam inadimplência média de 0,7%, enquanto grandes fundos, com mais de 10 mil direitos, têm 1,2% de calotes.
Especialistas alertam que os fundos intermediários enfrentam o pior dos dois mundos: são grandes demais para análise individualizada e pequenos demais para diluir riscos eficientemente. Além disso, financiam principalmente empresas médias, que sofrem maior aperto monetário e menor acesso a crédito bancário tradicional.
A marcação das cotas desses fundos pode mascarar a deterioração da carteira, pois não reflete a volatilidade diária do mercado secundário. Investidores só percebem perdas quando o gestor reconhece a perda no balanço, o que pode ocorrer tardiamente.
Recomenda-se cautela na análise, priorizando a estrutura do fundo e indicadores como créditos a vencer com parcelas em atraso. Apesar dos riscos, a Selic elevada mantém a atratividade do crédito privado como ativo de diversificação.


