O governo federal anunciou nesta sexta-feira (22) que elevará o bloqueio de despesas no Orçamento de 2026 para quase R$ 24 bilhões devido ao crescimento das despesas obrigatórias, como o Benefício de Prestação Continuada (BPC) e benefícios previdenciários.
As despesas obrigatórias do governo, incluindo salários e aposentadorias, superaram as expectativas iniciais para 2026. A equipe econômica estima que serão necessários R$ 14 bilhões adicionais para o BPC e mais de R$ 11 bilhões para benefícios previdenciários, principalmente por medidas para reduzir a fila do INSS, segundo o ministro do Planejamento, Bruno Moretti.
Para cumprir a regra do teto de gastos, o governo anunciou um novo bloqueio de R$ 22 bilhões, somando R$ 23,7 bilhões em cortes no Orçamento. A previsão é fechar o ano com déficit de R$ 60 bilhões, mas o governo afirma que cumprirá a meta fiscal de superávit ao usar R$ 64 bilhões em despesas não contabilizadas, como precatórios.
Economistas alertam para o crescimento da dívida pública, que já alcançou 80% do PIB, e recomendam revisão dos gastos obrigatórios para preservar a credibilidade fiscal e conter a alta das taxas de juros, conforme afirmam Rafaela Vitória, economista-chefe do Banco Inter, e Juliana Inhasz, economista do Insper.


