Estudantes da Universidade de São Paulo (USP) mantêm a greve e ocupam o prédio da reitoria na Cidade Universitária, no Butantã, desde 7 de maio. A decisão foi confirmada em assembleia na noite de 8 de maio, com adesão de alunos de 130 cursos.
A ocupação teve início após manifestantes derrubarem um portão de metal e duas portas de vidro para invadir a reitoria. A Polícia Militar permanece no local, mas o contingente foi reduzido e não há registro de incidentes, segundo a Secretaria de Segurança de São Paulo.
O movimento é liderado pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE Livre), que exige a retomada das negociações com a reitoria. Uma das principais pautas é o reajuste do Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (PAPFE), que atualmente oferece auxílios entre R$ 330 e R$ 885. A USP propôs aumento para R$ 27, valor criticado pelos alunos, que reivindicam R$ 1.804, equivalente ao salário mínimo paulista.
“A universidade afirma que não tem orçamento, mas nós temos uma opinião mais profunda sobre isso”, disse Danielly Oliveira, diretora do DCE. “Mas a universidade mudou uma cláusula de sustentabilidade para poder injetar dinheiro e pagar bonificação para os professores”. Os estudantes também pedem melhorias nos bandejões e nos hospitais universitários, citando condições precárias e excesso de trabalho.
Em entrevista, o reitor Aluisio Augusto Cotrim Segurado afirmou que desde 14 de abril foram mantidas mais de 20 horas de negociações. Ele disse que demandas estudantis foram encaminhadas e algumas podem ser atendidas rapidamente, mas que o reajuste para o valor do salário mínimo é inviável devido ao orçamento da universidade. A reitoria propôs aumento para R$ 912 na modalidade integral, após análise do impacto inflacionário.


