O Brasil teve em 2024 a menor taxa de homicídios já registrada, com 20,1 mortes por 100 mil habitantes, queda de 26,9% em onze anos. Apesar disso, 73,2% da população acredita que a criminalidade piorou, segundo pesquisa de 2025. O crime organizado migrou do tráfico para mercados ilegais como combustíveis, cigarros e crimes virtuais, que movimentaram R$ 146,8 bilhões em 2022.
O Atlas da Violência 2026, elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), explica que a redução da violência letal contrasta com a expansão do crime organizado em setores da economia formal e digital. O tráfico de cocaína representa hoje apenas 10% da receita do crime, atrás de combustíveis, ouro, cigarros, bebidas e crimes virtuais.
O contrabando do Paraguai movimenta R$ 60 bilhões por ano no Brasil, com margens de lucro de até 507%, especialmente no mercado de cigarros. Cerca de 36% do mercado de cigarros e bebidas e 25% dos defensivos agrícolas circulam irregularmente. No setor de combustíveis, esquemas ilegais causam perdas de R$ 29 bilhões anuais em arrecadação.
O Marco Legal do Combate ao Crime Organizado (Lei 15.358/2026) foi criticado por priorizar o endurecimento penal em vez da inteligência investigativa. Propostas para enfrentar o problema incluem integração de bases de dados financeiras, fiscais e policiais, além do fortalecimento da cooperação entre órgãos como COAF, Receita Federal e Judiciário.
O Caderno de Políticas Públicas 2026, do Livres, apresenta mais de 170 propostas para segurança, economia, educação e modernização do Estado, defendendo o combate aos fluxos financeiros que sustentam o crime organizado e a adoção de modelos regulatórios para reduzir mercados ilegais.

