Ferramentas de inteligência artificial (IA) já são usadas em diferentes etapas da fertilização in vitro (FIV) no Brasil para avaliar qualidade de gametas e embriões, definir doses hormonais e o momento da transferência, reduzindo tempo e tentativas frustradas, segundo especialistas e empresas do setor.
A IA está presente em 58 clínicas brasileiras, segundo empresa canadense Future Fertility, e em todas as 15 unidades da FertGroup, empresa nacional de medicina reprodutiva. A tecnologia analisa imagens de embriões captadas por incubadoras modernas, como o Embryoscope, que registra fotos a cada dez minutos, permitindo estimar o potencial de desenvolvimento e selecionar os embriões com maior chance de gravidez.
O uso da IA pode aumentar o custo do ciclo de reprodução assistida em R$ 1.500 a R$ 2.000, além do valor médio de R$ 15 mil a R$ 45 mil do procedimento. Planos de saúde não cobrem a fertilização in vitro, que não integra o rol da ANS, embora haja casos de reembolso mediante judicialização.
Segundo Roberto Antunes, presidente da SBRA, a IA não substitui a experiência médica e não garante melhores resultados automaticamente. A tecnologia auxilia na seleção, mas a decisão final cabe ao médico. Pacientes relatam que a IA funciona como ferramenta auxiliar, sem substituir o olhar humano.


