O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) caiu 0,3 ponto em maio, chegando a 88,8, com piora nas expectativas futuras concentrada em famílias de baixa renda, segundo pesquisadora da Fundação Getúlio Vargas.
A pesquisadora Anna Carolina Gouveia afirmou que a desaceleração da confiança do consumidor em maio foi motivada principalmente pela piora das expectativas para o futuro, especialmente entre consumidores com renda de até cerca de R$ 4 mil. O encarecimento dos alimentos pesa mais sobre essas famílias, que são mais sensíveis às variações de preços no orçamento doméstico.
Apesar da cautela futura, a percepção sobre o presente permanece relativamente positiva, sustentada pelo mercado de trabalho aquecido, desemprego baixo e crescimento moderado da renda. Programas como o Desenrola e a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda ajudaram a aliviar momentaneamente a situação financeira das famílias mais pobres.
Consumidores de renda mais alta apresentam visão mais otimista sobre a economia e os juros, acompanhando indicadores econômicos e projeções. A pesquisadora destacou que famílias de menor renda são mais afetadas por qualquer piora no emprego, devido à maior dependência da renda do trabalho e à menor estabilidade dos postos ocupados.
Mesmo com sinais graduais de aumento no desemprego, o mercado de trabalho brasileiro segue robusto, segundo a pesquisadora. No geral, os consumidores brasileiros ficaram um pouco mais cautelosos em relação ao futuro em maio, com maior concentração desse movimento entre as famílias de menor renda.


