O Brasil enfrenta o “efeito tesoura”, que reduz a presença feminina na carreira acadêmica, especialmente entre mães. Movimentos, editais e leis recentes tentam garantir apoio e permanência dessas pesquisadoras.
Apesar de formar mais doutoras que doutores há mais de 20 anos, o Brasil registra baixa presença feminina entre professores universitários e menor acesso a bolsas de produtividade, segundo a pesquisadora Fernanda Staniscuaski, da UFRGS. O movimento Parents in Science, fundado em 2016, reúne cientistas para discutir os desafios da parentalidade na carreira acadêmica.
Levantamento com cerca de 1.000 docentes mostra que mães são descredenciadas por baixa produtividade em maior proporção que pais e têm mais dificuldade para retornar. O Atlas da Permanência Materna identificou que a maioria das universidades federais oferece assistência financeira média de R$ 370 para mães estudantes, mas poucos espaços de cuidoteca.
O MEC lançou edital de R$ 20 milhões para implantação de cuidotecas. A Faperj criou edital exclusivo para mães cientistas, que apoiou 134 pesquisadoras, e prepara nova edição. A Capes lançou o programa Aurora, com 300 bolsas para professoras gestantes ou mães contratarem pesquisadores de pós-doutorado para manter a produção acadêmica.
Leis recentes prorrogam prazos de conclusão de cursos para gestantes e proíbem discriminação por maternidade em seleções e renovações de bolsas, ampliando o período de avaliação de produtividade. Essas ações buscam promover equidade de gênero e diversidade na ciência brasileira.


