Funcionários sindicalizados de um grande jornal americano acusaram a administração de se recusar a fornecer informações sobre o uso de inteligência artificial (IA) e de utilizar ferramentas para monitorar o desempenho de funcionários sem negociação coletiva. As queixas foram protocoladas no início deste mês por dois sindicatos, que pedem transparência e limites para o uso da tecnologia.
O sindicato de tecnologia do jornal, que representa cerca de 700 engenheiros de software, designers e analistas de dados, entrou com uma queixa de prática trabalhista desleal, alegando que a gerência se recusou a fornecer informações sobre como a IA está sendo usada e seus planos futuros. Também foram apresentadas queixas formais pelo uso de duas ferramentas internas de IA, chamadas DX e Glean, que rastreiam e avaliam atividades e desempenho dos funcionários.
DX é uma ferramenta de produtividade que monitora saída de desenvolvedores, uso de IA generativa e eficiência. Glean é um mecanismo de busca interna que indexa wikis, documentos do GitHub, Google Docs e e-mails. Segundo representantes do sindicato, dados que antes mediam a experiência geral de desenvolvimento agora são aplicados a indivíduos e usados em avaliações de desempenho, podendo gerar pressão por mais produção e resultados enganosos.
O sindicato editorial, que representa 1.500 funcionários, também protocolou queixa semelhante e negocia um novo contrato com cláusulas de proteção contra IA, incluindo a exigência de supervisão humana em ferramentas de IA, rotulagem transparente de conteúdo gerado por IA e compensação por treinamento de modelos. Um porta-voz do jornal afirmou que a empresa discorda das alegações e responderá dentro do processo contratual normal.


