Vídeos com tutoriais de ‘bonesmashing’ já ultrapassaram 250 milhões de visualizações no TikTok, impulsionando jovens a adotar práticas extremas para aprimorar a aparência. O movimento ‘looksmaxxing’, que se espalhou pela internet, vai de cuidados básicos a métodos arriscados e tem preocupado especialistas devido aos impactos físicos e emocionais.
O ‘looksmaxxing’ surgiu em fóruns online voltados para homens que se sentem excluídos socialmente e atribuem seus insucessos à aparência. A prática envolve desde rotinas de cuidados com a pele, exercícios e dietas até procedimentos invasivos, como preenchimentos, cirurgias e o controverso ‘bonesmashing’, que consiste em golpear o próprio rosto na tentativa de torná-lo mais anguloso. Embora não haja comprovação científica de eficácia, vídeos com o termo ‘bone smashing tutorial’ já somam mais de 250 milhões de visualizações no TikTok.
Em resposta à popularidade dos vídeos, o TikTok implementou diretrizes em 3 de abril para restringir buscas relacionadas ao termo. Dados da própria plataforma indicam que, em fevereiro de 2026, jovens entre 18 e 24 anos realizaram mais de 300 mil buscas diárias sobre looksmaxxing, número que saltou para 1,9 milhão em março, antes da proibição. O fenômeno reflete uma obsessão crescente com padrões estéticos e a crença de que o valor pessoal está atrelado à aparência facial.
Além dos riscos físicos, como inchaço, microfraturas, danos nos nervos e desfiguração, especialistas apontam para consequências emocionais. Os fóruns que promovem o looksmaxxing, longe de oferecer apoio, estimulam a competição e a autocrítica, reforçando sentimentos de inadequação e isolamento entre jovens. Influenciadores que defendem práticas perigosas, como Clavicular, tiveram canais removidos por violação de políticas, mas continuam a atrair seguidores em busca de pertencimento e validação.
O movimento é visto como sintoma de uma sociedade que valoriza excessivamente a aparência, agravado pela falta de espaços de convivência e oportunidades para jovens. O looksmaxxing, ao transformar o rosto em mercadoria, evidencia a necessidade de resgatar o papel da face como instrumento de conexão e empatia, em vez de mero objeto de avaliação e competição.


