O maestro belga Philippe Herreweghe, de 79 anos, formado em medicina e psiquiatria, evita associar música a terapia. Ele se apresenta no Theatro Municipal do Rio nesta segunda-feira (25) com a Orquestra de Champs Elysées.
Philippe Herreweghe construiu carreira como regente e fundador do Collegium Vocale Gent e da Orquestra de Champs Elysées. Apesar da formação médica, ele rejeita a ideia de usar a medicina para explicar a música, afirmando que “a partitura não é uma confissão” e que obras-primas não são sintomas de transtornos.
O maestro reconhece que a biografia dos compositores pode ajudar na interpretação, mas estabelece limites para evitar reducionismos psicológicos. Ele também concorda que a sala de concerto oferece um espaço seguro para a escuta, proporcionando alívio em tempos difíceis, mas rejeita o rótulo de “curador” musical.
Herreweghe considera fascinantes os estudos que relacionam música clássica e saúde mental, mas alerta para não confundir as consequências da música com sua essência. Ele destaca que o benefício da música é consequência da alegria vivida na experiência musical, não um objetivo terapêutico explícito.


