O mercado ilegal de produtos falsificados e contrabandeados causou prejuízo recorde de R$ 514 bilhões ao Brasil em 2025, segundo anuário da Associação Brasileira de Combate à Falsificação (ABCF) divulgado nesta quarta-feira (27). O valor representa alta de 8% em relação a 2024 e inclui perdas de arrecadação e faturamento das indústrias legais.
Os três setores mais afetados foram bebidas alcoólicas (R$ 89,5 bilhões), vestuário (R$ 55 bilhões) e combustíveis (R$ 30 bilhões). Além do impacto econômico, a adulteração de produtos representa riscos à saúde, como a crise de metanol em bebidas. Em outubro de 2025, a Câmara dos Deputados aprovou projeto que torna crime hediondo a falsificação de bebidas e alimentos, com pena de quatro a oito anos de reclusão.
O Estado de São Paulo concentra 40% das perdas nacionais, totalizando R$ 205,6 bilhões, embora não seja região de fronteira. A Receita Federal realiza 20% de suas operações de apreensão no estado. Outros setores com grandes prejuízos incluem material esportivo (R$ 32 bilhões), perfumaria (R$ 22,8 bilhões), defensivos agrícolas (R$ 22 bilhões) e medicamentos (R$ 16,8 bilhões).
Segundo a ABCF, os prejuízos são calculados com base na perda de arrecadação tributária e no faturamento das indústrias legais. O anuário também destaca o comércio irregular de medicamentos, com falsificações diretas e manipulação clandestina de substâncias como semaglutida.


