Mulheres integraram os bandos de Lampião no cangaço a partir de 1930, trazendo mudanças na organização e na cultura do movimento no sertão nordestino.
Maria Bonita foi a primeira mulher a entrar oficialmente no bando de Lampião, abrindo caminho para outras sertanejas que buscavam liberdade ou acompanhavam companheiros. Nem todas chegaram por escolha; houve casos de sequestro, mas muitas decidiram voluntariamente seguir o cangaço.
A vida no cangaço oferecia às mulheres autonomia inédita para a época, como usar maquiagem e dançar, atividades proibidas sob controle familiar. Apesar disso, ainda havia limites e as mulheres eram vistas como propriedades dos companheiros.
As cangaceiras mantinham aspectos do cotidiano feminino, cuidando da aparência e influenciando a estética do grupo, como Dadá que introduziu cores e elementos florais nas roupas. Contudo, a violência também marcava suas histórias, como o assassinato de uma integrante após traição.
O cangaço permanece como símbolo cultural do Brasil, refletindo contradições entre violência, sobrevivência e resistência no sertão nordestino, e segue presente na memória e cultura da região.


