O Museu d’Orsay, em Paris, inaugurou uma exposição com 13 obras roubadas ou vendidas sob coação durante a Segunda Guerra Mundial. O objetivo é identificar os proprietários legítimos dessas peças, que estiveram sob custódia do museu por meio século.
A mostra reúne pinturas de Pierre-Auguste Renoir, Edgar Degas e uma escultura de Auguste Rodin, entre outras. As obras fazem parte das 225 peças recuperadas da Alemanha e Áustria após a guerra. Segundo David Zivie, chefe da força-tarefa governamental, a expectativa é que, com o tempo, as obras sejam retiradas da exposição à medida que suas origens forem esclarecidas.
Após a Segunda Guerra Mundial, cerca de 100 mil objetos de arte foram declarados roubados na França. Cerca de 60 mil peças localizadas no exterior foram devolvidas, mas menos de 200 foram restituídas aos proprietários, incluindo 15 do acervo do Museu d’Orsay. A França aprovou em 2023 uma lei que permite a restituição de bens saqueados de famílias judias, reforçando o compromisso do país, segundo Gideon Taylor, presidente da Organização Mundial de Restituição Judaica.
François Blanchetière, curador do museu, explicou que separar obras saqueadas de adquiridas legalmente é complexo devido ao mercado ativo durante a guerra. A exposição também permite que visitantes examinem detalhes das obras para ajudar na identificação da procedência.
Annick Lemoine, presidente do Museu d’Orsay, afirmou que cada obra representa histórias de vidas fragmentadas e destruídas durante a guerra. O projeto foi liderado por Sylvain Amic, antecessor de Lemoine, que tinha grande interesse na restituição de obras saqueadas.

